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segunda-feira, 22 de março de 2010

Retrato dum malogro

"Porque me segues se ando perdido?", disse ele quando apareceu, "porque me quero perder" respondeu ela e seguiu-o.
Foi atrás dele pelas ruas do Bairro, sombrias e frias, como a vida dele. Deixou-o falar e ele disse-lhe (quase) tudo, naquele bar cheio de coisas velhas, onde partilharam memórias de infância em fotografias gastas, do tempo em que as fotografias tinham o valor do momento. E outros momentos doutros tempos.

Aprendeu das palavras dele, dos pensamentos, dos olhos, das mãos, de todo o corpo. Não lhe pareceu culto, viu-o sábio, com tanta força e no entanto ele só se via todo-fraquezas.

E depois desapareceu. Deixou-lhe o caos da vida dele, nas horas dela, andou perdida, primeiro com ele e depois sem ele. Encontrou-se, depois da saudade, guardou-o nela, fascinada por tudo o que ele podia ser, desiludida com tudo o que ele não queria ser.

Percebeu que eram iguais, mas afinal ela estava um passo à frente e ele não a seguiu, ela gritou até deixar de o ver, mas não podia parar.

Ele ficou com o seu caos, os seus tormentos, os seus fantasmas, o seu grande medo da morte!, tantas vezes o ouviu dizê-lo.

Cala-te!tu não tens medo de morrer, tens é medo de viver! Então fica, fica aí, como um paspalho, um bandalho, um caralho. Fica aí na tua iminência de morte, que eu vou à minha vida!

quarta-feira, 10 de março de 2010

Did you change? For the better?

Quantos anos tens? Não faz mal, olha para ti e pensa como eras há 1 ano, há 5 anos, há 10 anos. O que mudou? Gostas mais de ti agora.

Dedico este artigo a todas as pessoas que como eu, deixaram para trás os complexos da adolescência. Ah, vá não vale essa do "não tinha", todos tivemos!, ou porque se tem borbulhas, ou porque se é gordo ou magro, o cabelo, a cara, o rabo, etc. Qual era o teu? Eu, passados quase 10 anos da minha passagem pelo secundário posso dizer que gosto mais de mim, nem falo do físico falo daquilo que aprendi, com as coisas e pessoas boas e principalmente as más que encontrei pelo caminho.

Tornei-me mais impulsiva, explosiva até, o que não é bonito, mas vou ganhando o respeito, a consideração e o que mais prezo, a amizade das pessoas de quem gosto. Mesmo com o meu feitio lixado, quem diria... Tenho um dos trabalhos mais ingratos do mundo das profissões e nada disso interessa porque estou na melhor equipa do universo das profissões.

Não sou nada agarrada ao dinheiro, é a única coisa que me falta, mas se tivesse muito, não gastava, dava esbanjava, estragava. Sempre vivi assim, com muito amor e muito pouco dinheiro. E não sei se saberia viver ao contrário, duvido. Gosto de viver assim, de bolsos vazios e coração cheio.

Sobre o amor não falo, ele vai e vem, se é o amor que vem mesmo de vez em quando bater-me. À porta?! Quem dera!, Bate-me com força na cabeça e deixa-me meia azamboada uns tempos e depois passa, e depois volta a bater... e sempre assim.

E acima de tudo de ter consciência das coisas que não sei, e que vou procurar saber para o resto da vida e mudar sempre para melhor.



"You changed for the better yeah yeah"

domingo, 21 de fevereiro de 2010

"A bonança era apenas beijo em pó"

Às pessoas não se dão segundas-oportunidades, essas dão-se quando se dá desamor, são
falsos bilhetes de volta quando a ida foi longe demais, são promessas de "outra vez", que por isso são promessas, ecrãs de fantasias para escondermos a verdadeira vida de chances que não se repetem, vendas dos olhos que a mentira cega. Não, não te dou! Porque sei... E eu sei, porque eu já fui uma, uma e outra vez e voltei sempre a pedir outra até que não quis mais.
É o castigo por se querer mais do que aquilo que se pode dar, é a maneira brutesca e irreversível de transformar uma pessoa num erro.



Fomos à Escócia e voltámos, loucos por ficar a sós
fomos mas nunca chegámos, a sair do meio de nós
(...)

Por desamarmos deixámos, seis amores sem ter dó
e agora que regressámos, não sei se nos sobra um só
É que havia certa esperança que podia ser só dança
Mas afinal a bonança era apenas beijo em pó


Não me leves tu a mal
Não me tentes convencer
que o que havia em Portugal não chegava para saber
Dei-te um mês da minha vida e um mês é de valor
e tu podes ser bastante querida mas não é preciso dor
para provar o desamor

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

A alma depois...

"Quando passo ao de leve pela minha vida tudo ganha sentido. Mal páro, tropeço. Não posso parar. Bom é este fim de tarde doce e azul sem fundo que resplandece no ar. Tudo se torna suave e sei que sou parte inteira deste universo que, a esta hora, se mostra assim.

Queres saber onde estou? Estou no lugar onde qualquer pessoa que foi amada se encontra. No mexer, no sussurrar, na entrega, no incansável prazer, na alma a dois. Lindo é o meu amor nómada que não pára de fugir de paisagem em paisagem e me vem visitar sempre que o não espero. Para sentir bater mais forte o meu coração que ele envolve como uma serpente.
"

P.P. in Confissão
´
... estranhamente calma, mas vazia.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

É preciso elevar a pessoa à posição do... QUASE



""Quase, é uma palavra notável. Todas as pessoas deviam ter por nome próprio quase. Eu sou quase, tu és quase, ele é quase, nós somos quase. Quase qualquer coisa que não chega a ser quase. Uma equação quase perfeita. Um número quase redondo que só existe dentro das nossas cabeças ligadas por fios primorosos. Fios de aço que amarram a loucura e a mantêm obediente. Não pretendas ser mais. As lágrimas que te escorrem pela cara desenham traços de temperatura variável. Continuam a surgir frases por escrever, amores inacabados. O amor é sequioso como uma planta. O melhor é a água. Não há outra maneira. A felicidade é coisa que acontece tarde. Da qual só se tem notícia depois de ter sido. Quando alguém clama: sou feliz, está a preparar-se para a desgraça. Imensas são as coisas que só existem no tempo passado. Não há vagas, quer no inferno, quer no paraíso. Suceder já quer dizer sucedido, porque triunfar é um verbo a morrer. Há em mim qualquer um que tem saudades de si. Saudades imperiosas, bruscas, inevitáveis. Continuo a ignorar para onde foi o que fui, em que casas acordam as pessoas que amei. Dói quase. Assim, sempre assim. Uma espécie de distância que não pode ser percorrida."

Pedro Paixão in É preciso elevar a pessoa à posição do espanto


Pedro e Paixão, duas palavras, que às vezes eu gostaria de ser e outras que gostaria de ter.

THE LAST REPEAT - all things know, all things grow, all things go



I made a lot of mistakes
I made a lot of mistakes
I made a lot of mistakes
I made a lot of mistakes

You came to take us where all things know, all things know

domingo, 17 de janeiro de 2010

Rather be lucky than good?

"There are moments in a match when the ball hits the top of the net and for a split second it can either go foward or foward back. With a little luck it goes foward... and you win, or it doesn't... and you lose."

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

REPEAT XLIII - maracujá sim, côco não





I hope this life don't get you down

This dirty old time in this dirty old town
And if you're feeling instructive
There's something to do
Sometimes we get confused

I'm confused

If I wrote about you anyone would've believe that you're real. I'm confused! I just want to keep this feeling that we met to make each others lives lighter?, better?, sweeter? Thanks for showing up and make me wanna clean up my room, because now I know that someday soon, somehow, someone is going to find that door openned.

sábado, 26 de dezembro de 2009

T.U.V.E.

...the end is the beginning is the end is the beginning is the end is the beginning isthe end is the beginning is the end is the beginning is the end is the beginning isthe end is the beginning is the end is the beginning is the end is the beginning is the end is the beginning is the end is the beginning is the end is the beginning is the end is the beginning is the end is the beginning is the end is the beginning is the end is the beginning is the end is the beginning is the end is the beginning is the end is the beginning is the end is the beginning is the end is the beginning is the end is the beginning is the end is the beginning is the end is the beginning is the end is the beginning is the end is the beginning is the end is the beginning is the end is the beginning is the end is the beginning is the end is the beginning is the end is the beginning is the end is the beginning is the end is the beginning is the end is the beginning is the end is the beginning is the end is the beginning is the end is the beginning is the end is the beginning is the end is the beginning is the end is the beginning is the end is the beginning is the end is the beginning is the end is the beginning is the end is the beginning is the end is the beginning is the end is the beginning is the end is the beginning is the end is the beginning is the end is the beginning is the end is the beginning is the end is the beginning is the end is the beginning is the end is the beginning is the end is the beginning is the end is the beginning is the end is the beginning is the end is the beginning is the end is the beginning is the end is the beginning is the end is the beginning is the end is the beginning is the end is the beginning is the end is the beginning...

domingo, 20 de dezembro de 2009

REPEAT XLII - ela só queria um viver um grande amor?


Será que ainda os há?, será que ainda pode??

domingo, 13 de dezembro de 2009

Wait (along with me) for something better...


Porque há pessoas a quem devemos mais do que o sentimento que nos liga, devemos-lhe a capacidade de continuar a sonhar, que para mim é igual a: VIVER.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

LOL

LOL = laughing out loud ou num registo mais oldfashion - lots of laugh.
Eu continuo a usar e talvez devesse lançar uma versão em português, RAC (rir alto pa caramba)?, RFX (rir até fazer xixi)?, parece-vos bem? E antes que haja reclamações, em português os elementos de ligação não devem ser fazer parte das siglas ou acrónimos, aqui não são incluídos para manter as três letras do acrónimo em inglês, sim?

Looooooool
= "#%&/=?(&$#" o que leva a uma pergunta: qual é o propósito de adicionar 300 mil (ou se calhar menos) "of's" ou "out's"?, nunca percebi, mas não percebo nada de inglês, dizem.

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

REPEAT XL - Porque o XXXIX ficou pelo caminho =)


Faço parte duma geração sem passado, sem referências, sem identidade, a receber demasiada informação por dia, a esquecer-se da importância do contacto cara-a-cara, demasiado socio-fóbica até, diria. E não é culpa de ninguém, não é dos pais, nem dos professores, nem dos media, é nossa, o mundo continua a ter os mesmos encantos de há 20 anos, igualmente mágicos, só que valorizamos coisas e as coisas não devem ser tão valorizadas. É bom sentir que a minha geração se começa a revoltar contra as modas, contra os gadgets, contra um vida vazia, revoltemo-nos então, criemos uma identidade, a geração rasca deixou-nos um legado que merece ser continuado, precisamos dum nome e duma identidade, porque as gerações vindouras serão feitas de "máquinas humanas" e eu quero estar cá para ver e falar duma geração que realmente valia a pena... a minha!



"Won't stop me now
Can't stop me now
(...)
Once again I'm gonna work it out na na na na na"

sábado, 21 de novembro de 2009

REPEAT XXXIV - Gracias Teresa Pimienta



Sabes o que gosto, que me conheces daqui (das redes sociais) e viste-me uma vez, mas mesmo assim tenho a sensação que me "sacaste a pinta" como ninguém o fazia há muito tempo e isso... dá-me medo.

Vuelve ya o por lo menos, te hayas ido para siempre,
porque seguir en este ambiente, no da para más.
Tanto te espero, que desespero
Ahora me faltas, ahora te tengo
Hago recuento de lo que tengo y no tengo nada.

Hoy me he echado a perder, cuando empiezo no paro.
Tengo gran facilidad en terminar de romper, lo que estaba arreglando.
Llamando a tu buzón de voz, una y otra vez,
yo que me había jurado dejarte respirar.
Pierdo la paciencia y después la cabeza,
no puedo evitar estar, a la vez, vencido y tirar piedras.

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Para sempre: o direito à diferença - saudades do Lobo

Ontem adormeci a ouvir a repetição do programa da Inês Meneses em que o convidado era o António Sérgio.
Quantas vezes me deixei embalar por aquela voz de chocolate? Chocolate negro como a noite, forte como um grito de resistência, com um suave trago de caramelo, era assim a voz dele, como não há.
E dói, saber que ainda que a oiça de novo, já não estará do outro lado da antena, o dono dela.




Fica uma das músicas que me mostrou e que, para sempre me fará lembrá-lo, nas minhas noites (mais) solitárias.

REPEAT XXXII - I know a place...



"Between the click of the light and the star of a dream"

... e tenho saudades desse lugar onde vou para estar comigo, para pensar, para chorar e saio de lá sempre com a mesma sensação de tranquilidade, mesmo sabendo que não tarda vou querer muito voltar para estar comigo, para...

domingo, 8 de novembro de 2009

Midazolam

Lembras-te?
Eu corria atrás de ti,
Quando tu corrias atrás dela,
E ela fugiu e tu...
Olha, olha, ela agora está comigo,
E tu chegaste,
E aqui nos encontramos
E sorrimos quando nos encontramos,
Aqui.

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Deus é quem o homem quiser...


Si Dios fuera una mujer


¿Y si Dios fuera mujer?
pregunta Juan sin inmutarse,
vaya, vaya si Dios fuera mujer
es posible que agnósticos y ateos
no dijéramos no con la cabeza
y dijéramos sí con las entrañas.

(...)

Ay Dios mío, Dios mío
si hasta siempre y desde siempre
fueras una mujer
qué lindo escándalo sería,
qué venturosa, espléndida, imposible,
prodigiosa blasfemia.

Mario Benedetti

sábado, 24 de outubro de 2009

Sem título...

Hoje percebi...

É um jogo, entre duas pessoas, nada mais. Que se joga inconscientemente e em que nenhuma das partes arreda pé do seu papel, porque o não reconhece ou não o consegue combater.
Quando alguém mostra que gosta doutra, essa outra joga para a manter, tornando-a dependente, fazendo exactamente o que a outra precisa para se manter esperante.
Uma mensagem aqui, um encontro ali, um enorme silêncio, desde que faça manter viva uma pseudo-relação, que até pode ter futuro, não digo que não, o amor, ainda que baseado na espera, não se perde como força motriz.

Viver na espera torna-se uma rotina, imaginar o futuro, desejá-lo, é mais fácil esperar do que esquecer, viver num sonho, dizem que para quem vive a sonhar, é mais fácil viver. E os dois esperam, esperam que o outro dê um passo à frente para logo a seguir dar um passo atrás, numa sequência de investidas inacabáveis.

E quando caem estas pessoas em si?, quando vêem que não estão a fazer mais do que prender-se uma à outra?, que fazem depois disso?

Mas qualquer espera, quando se quebra parece que foi pequena. E dói e queima e assombra. E depois é bom, é renovador, dá sempre borboletas na barriga quando volta e tanto prazer... até que deixa de novo.

O mais assustador é que há pessoas que vivem anos assim, vidas inteiras assim, vale a pena? Vale?! Isto que acabei de descrever tem um nome, mas prefiro chamar-lhe espera para não ferir susceptibilidades, afinal de contas, quem nunca esperou?

E da espera vem a esperança certo? Para quem não sabe a esperança é a característica que distingue o amor romântico. Mas não é esse não, o da espera.

E como deve ser bom ter alguém sempre disponível, que mostra que nos ama incondicionalmente, que sabemos que fará qualquer coisa por nós, que estará sempre lá, algures no mundo, sempre à nossa espera, ainda mais para um ego masculino... Deve ser tão bom ter alguém assim!


... Alguém como eu!

sábado, 17 de outubro de 2009

Não porque esta seja eu, mas porque o somos todas num ou noutro dia...

"Tem o coração partido em milhares de pedaços, pequenos, minúsculos, quase desfeitos. Está desfeita. Sem rede. Não existem amores impossíveis. Se é impossível é porque não é amor. Hoje começa, de novo, a reconstruir-se, a regenerar-se. A ela e ao coração. Pedaço a pedaço. Ao coração e à vida. Sem deadline para tão árdua tarefa. Só a certeza de que é possível."

Escrito com SAL

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