segunda-feira, 15 de outubro de 2007

Praia em Outubro e coisas que tais

Fui até ao Sul do país no fim-de-semana passado. E como sempre imaginei-me dentro de um micromachine a percorrer linhas azuis e amarelas do mapa. É cliché sim, mas gosto da imagem. Um dia hei-de comprar um mapa grande e pormenorizado de Portugal, para riscar os caminhos que já fiz, que os mapas da minha mãe não posso estragar (já chegaram todas as paredes e mesas "estraguei" com a minha "arte" quando era criança - não gostava de papel, achava-o pequeno demais).
Para além do óbvio facto do Algarve ser muito mais respirável em Outubro, o tempo é também mais ameno (agora, porque ainda sou do tempo que em Setembro começava o Inverno com chuvas e frio até Abril). Mesmo assim não faltavam estrangeiros. Sem dúvida que o Algarve é a zona mais Cosmopolita de Portugal. No AlgarveShopping, por altura do fecho, uma voz avisa as pessoas em Português e Inglês que devem sair. Lembro-me de estar no Colombo e no CascaiShopping à meia-noite e a voz-off falava apenas português. Engraçado também como os ingleses comentam em voz alta a sua vida privada como se os portugueses fossem burros e não percebessem nada. Passaram por mim cinco matulões loiros atentos ao relato de um deles sobre uma rapariga "very gorgeous" but "too noisy in bed". As largas ruas do Algarve são para eles um infinito bar sem portas nem ouvidos indiscretos.
Outra coisa que dá cara ao Algarve, é a Maddie. Persegue-nos de bar em bar e loja em loja, porque além das mesas e cadeiras os panfletos da garota inglesa já se tornaram mobília. O pior é que ficamos mesmo com o olho treinado e atento a miúdas loiras, tanto que a minha mãe ainda se chateou comigo quando gritei "OLHA A MADDIE!", e ela deu um salto como se tivesse visto um fantasma. Não se deve brincar com coisas sérias, e tal... Sem querer fitei o carro de uma velhota que sentava a neta loiríssima no banco, e ela devolveu-me o olhar com ar de susto e pânico, "Não é a Maddie, não me prendam!". "Épá, eu estava só a olhar pró modelo do carro minha senhora, só reparei na garota depois". Foi o que conversámos em silêncio.
Mas bem, isto não interessa muito, comecei o post com a ideia de contar que vi o Manuel Alegre na viagem de volta à Metrópole lisboeta. Sim, INCRÍVEL, Manuel Alegre teve vontade de parar para fazer xixi NO MESMO KILÓMETRO que eu e a minha bela família. Até parecia o meu pai, pólo verde da Lacoste, boné verde escuro de marca-qualquer (talvez até dos "Amigos da Sardinha, Convívio XXI no Seixal", não tive tempo de ver), e casual ar de quem tinha ido à caça. O meu pai comentou "até admira como não veio com guarda-costas e isso", e eu lembrei-o que já não estávamos no fascismo e tal, ele às vezes esquece-se. Tive vontade de ir lá apertar-lhe a mão e sugar-lhe a poesia para mim, mas contive-me (não, não tive vontade de lhe dizer que é o maior ou pedir um autógrafo, queria só roubar-lhe a genialidade).
Foi isso. Estive com um dos grandes mitos das minhas leituras a meia-luz e a meia-noite na REPSOL. E claro que isso ultrapassa a praia e os estrangeiros labregos.

3 Comentários:

Anónimo disse...

Há um post grande! Como eu gosto!
Eu se o visse, nem me ia lembrar quem era, apesar de ter a imagem dele na cabeça. O melhor será andar com fotografias de todos os famosos e conhecidos no telemóvel para nunca cometer o erro de não ir tirar uma foto com ele... é isso e tentar aparecer à frente da câmara nos directos.

EL disse...

É estranho ver pessoas que nos marcam, não por serem conhecidas mas por representarem algo de místico para nós. Lembro-me de ver o Nuno Markl, nas twin towers, quando fui ao cinema lá encostado a uma parede e de pensar "afinal ele existe". Na verdade podia ter tido uma alucinação. Tive pena de não ter ido falar com ele, parece uma pessoa bastante acessível e são oportunidades que podem nunca mais vir a repetir-se.

Alison disse...

Ja se sabe que o algarve é dos ingleses a maior parte do ano. Até se criou a marca "Allgarve" para promover a região.
Estou habituada a conviver com estrangeiros, vivi muito tempo numa estação balnearia que acolhe mais de 100000 turistas durante o verão entre os quais ingleses (of course!), alemães, espanhois e até italianos. E era bem engraçado e interessante ver uma mistura de tantas culturas diferentes.

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