A eterna insatisfação leva a um conformismo merdoso
Há dias... Como o de hoje, em que me apetece escrever sobre a minha vida, não é boa, nem má, é como a de toda a gente e não é como a de ninguém... é a minha e vidas são vidas. E a minha é, aparentemente, como eu, já que ultimamente sou julgada como: inconstante. Parágrafo este que serve para o demonstrar. Mas não o somos todos?
Gostaria que esta fosse a última vez que digo ou escrevo isto. Não o será com certeza. Sou enfermeira! Sou, mais que não seja, porque consegui concluir a licenciantura. Se gosto?, não!, cada vez menos. Então porque o escolhi?, porque as outras opções que me eram apresentadas, dada a minha indecisão, tinham uma taxa de desemprego maior (crítica de arte, fotógrafa ou relações públicas). Pensar no bem-estar económico, era o que eu fazia, quando a vida ainda não me tinha mostrado que não é de todo o mais importante. Podia ter desistido, claro, não o fiz, por pressão dos pais, que neste momento não teria a mesma influência. Mas não se podem culpar os outros pelas nossas opções. E quando se está a um ano de terminar uma licenciantura, a teimosia fala mais alto. Teimosia essa que agora me parece só... estupidez.
E estou revoltada, antes de mais com a minha escolha, depois porque sempre fui da opinião que é inútil ajudar os outros se não nos pudermos ajudar a nós mesmos e, sobretudo as pessoas que amamos. O meu avô está internado e eu nada posso fazer, porque está longe e porque não sou capaz de tratar a família (desmaio ou quase, é verdade, afecta-me duma maneira que não consigo controlar), a minha avó vai ser internada amanhã para ser operada. Uma cirurgia simples, mas ela tem algumas doenças que podem complicar.
Porque estou com medo?, porque apesar de perceber, não confio no sistema de saúde, nem nos profissionais de saúde, muito menos acreditar na sorte.
As pessoas no hospital são tristes, despersonalizadas, cinzentas. Os profissionais de saúde são tudo menos profissionais. Porque é que eu tenho de cuidar de outras pessoas, tratar as doenças dos outros, quando o que eu própria me sinto doente, quando preciso que tomem conta de mim? Não quero que lhes aconteça nada enquanto eu for "só" enfermeira, não quero juntar ao peso da culpa de ter feito um percurso mais longo, a culpa de nada ter feito para prolongar a vida de quem me criou.
Só queria poder sair já deste mundo doente da saúde!
Em segundo lugar, já o escrevi várias vezes, mas ultimamente tenho feito tantas coisas, para ocupar um espaço deixado vazio por alguém, que não tenho pensado nas outras pessoas. E, ainda por cima, o espaço continua vazio. Espero que algures o lugar que eu costumava ocupar também esteja.
Ontem disseram-me uma coisa que me deu vontade de rir "tu... és tu. e já tenho problemas que me cheguem." Se alguém que me conhece bem, conseguir dar uma opinião, faça o favor. Não vou contextualizar. Mas eu acho que dou muito que pensar, exijo muito investimento das pessoas a quem também me dou. Será isso?
Tenho vindo a reparar que normalmente canalizamos os nossos ódios, frustrações, sentimentos negativos nas pessoas de quem não gostamos. Ando a tentar mudar isso. Não é fácil. Dar pontapés no ar tem ajudado. É favor experimentar.
Para finalizar, a professora de História exigiu (sim, porque escolhas condicionadas, obrigadinho!) que fizéssemos um novo teste amanhã, porque se recusava a corrigir a miséria dos primeiros. Isto vindo duma pessoa que vive para aquilo...
Um desabafo que talvez daqui a uns dias nada queira dizer (espero que assim seja). Só para me sentir um pouco melhor porque agora tenho de ir estudar. Com licença.
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Grande post!
Ai, que situação tão frustante a tua. Espero que melhore. Por acaso, eu escolhi o meu curso quase ao calhas e estou globalmente satisfeita. Olha que há coisas...
De resto, não te conheço muito pessoalmente por isso não me posso pronunciar!
Eu percebo como te sentes, mas pensa que há pessoas como eu, que tiraram o curso que gostam, mas cuja situação económica não é a melhor, e isso também dói muito.
Os tempos vão melhorar, quando acabares o curso de tradução. Eu sei que sim.
Beijinho!
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