Não sei se alguém viu o episódio de hoje de Californication, uma série que é tão ordinária como o nome. Ordinária de vulgar, porque retrata as relações como elas são, sem pudores, sem romancismos nem artifícios, com uma ligeiro toque fatalista. É brilhante! E, neste mesmo episódio, Hank (David Duchovny), deu uma entrevista na rádio. É um escritor, mulherengo, marca C como eu costumo dizer, mas surpreende quando demonstra alguma sensibilidade e moral quando se depara com as imoralidades das pessoas que o rodeiam, que personagem...
Ora bem, ele falou sobre o modo como a tecnologia trouxe uma forma de pseudo-comunicar que nos tornou ainda mais idiotas, basicamente, ao invés de nos aproximar, de melhorar a comunicação entre as pessoas, é só mais uma forma de isolamento e um disfarce perfeito para criminalizar ainda mais o mundo. Vivemos de SMS, numa proto-língua, de xizes, LOL's e bjs, sem pontuação, nem gramática. Dum esquecimento dos jornais, dos livros, do silêncio das bibliotecas, para entrar num mundo de blogues e suporte digital.
Nada contra novas tecnologias, mas eu sou de caneta na mão, sou do toque do papel, sou do cheiro a recôndito das bibliotecas. E eu respondo o mesmo que ele, porque a estas horas já deveis estar a perguntar-vos porque raio tenho eu um blogue? A verdade é que neste momento "I hate myself for that".