Em Portugal era impossível...
Eu sou um bocado sensível e quando acontecem coisas como o que aconteceu na Áustria, aquele senhor que raptou e escravizou sexualmente a filha durante tantos anos, fico muito tempo a pensar nisso. E nem vi muitas notícias, porque os media fazem questão de divulgar tanto os assuntos mais chocantes que se tornam maçadores, uns autênticos pica-miolos. E às tantas dou comigo a pensar nessas coisas umas trinta mil vezes por dia e penso "ê pá, como é possível?" e acho que ainda vou enlouquecer.
Mas pronto, não é para falar nisso mais uma vez, que escrevo sobre este assunto bizarro, mesmo acabando por trazê-lo à tona mais uma vez.
Vamos pensar nisto, em Portugal nunca poderia acontecer algo assim, porquê?
Porque há sempre alguém a coscuvilhar. Haveria sempre alguma sogra a querer saber para onde ia tanta comida, algum vizinho a espreitar e a tentar perceber o que se passava naquele agregado ou bunker ou que sítio era. Alguma beata a bater à porta e a meter o bedelho na vida dos netos e a querer saber como, onde e porquê, a filha os teria abandonado. O dono do comércio, do café, da padaria, da leitaria, o electricista, o canalizador... a fazerem um milhão de perguntas e a repeti-las cada vez que vissem o capullo. E a mulher podia levar o seu tempo, mas descobria e, com um pouco de sorte, ainda lhe dava uma valente sova! Isso é que era... Por isso meter-se na vida dos outros, por mais chato que seja, também se pode ver como um factor protector (bem lá no fundiiiiiinho).






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